Enquanto o secretário ostenta na mídia investimentos milionários e equipamentos de padrão internacional, a realidade das ruas revela sinalizadores de emergência de R$ 29,00 instalados na frota.
SÃO LUÍS – A distância entre o discurso oficial da Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania (SEMUSC) e a realidade operacional da Guarda Municipal de São Luís acaba de ganhar um capítulo que mistura vergonha e indignação. Vídeos gravados recentemente expõem que as “modernas viaturas” celebradas pelo secretário Marcos Afonso receberam sinalizadores luminosos (giroflex) improvisados, de baixíssima qualidade e idênticos a modelos populares vendidos em plataformas de importação barata, como a Shopee, por valores que rondam os R$ 29,00.
O Flagrante da “Quinta Categoria”
Nas imagens que circulam nos bastidores da segurança pública, é possível ver em detalhe as barras de LED estroboscópicas fixadas no teto dos veículos. Longe de serem equipamentos homologados e de padrão profissional para veículos de emergência de órgãos de segurança, os sinalizadores instalados são réplicas simples, com fiação exposta e fixação frágil.
Especialistas e os próprios agentes apontam que esse tipo de acessório de “quinta categoria” não possui a potência luminosa necessária para o tráfego em situações de urgência e apresenta altíssimo risco de curto-circuito, além de queimar com facilidade sob as condições climáticas locais.
A Contradição Milionária
O flagrante surge poucos dias após o delegado e secretário Marcos Afonso ir à imprensa rebatendo as denúncias de sucateamento feitas pela tropa. Em sua fala oficial, o secretário encheu o peito para listar “avanços materiais expressivos”, alegando que a atual frota conta com 24 viaturas novas equipadas com o que há de melhor.
A descoberta dos giroflex de R$ 29,00 joga por terra a narrativa de modernização e levanta sérios questionamentos sobre para onde está indo o orçamento da secretaria:
Glock e Taser no discurso, “Luz de Natal” na prática: A gestão faz propaganda de pistolas austríacas de última geração e equipamentos não letais importados, mas economiza o mínimo ao equipar os carros que deveriam dar suporte aos agentes.
Falta de Equipamentos Obrigatórios: A improvisação dos sinalizadores só confirma a denúncia anterior da categoria de que os veículos novos foram entregues sem os dispositivos obrigatórios de emergência de fábrica (como as sirenes e luzes integradas adequadas) e sem as gaiolas protetoras para condução de presos.
Improviso para Maquiar a Crise
Para os guardas municipais que assinaram o abaixo-assinado pedindo a saída da cúpula, a instalação desses LEDs baratos é mais uma tentativa desesperada da SEMUSC de “maquiar” as viaturas às pressas para simular que a estrutura está operacional diante das fiscalizações e da pressão da Câmara Municipal.
Enquanto a secretaria insiste em publicar cards coloridos celebrando o “maior investimento da história”, as viaturas equipadas com acessórios de plataforma de compras populares mostram que a segurança pública de São Luís está sendo tratada na base do improviso e do baixo custo.
Na SEMUSC, a seriedade da gestão parece durar apenas até a primeira busca no aplicativo de compras.



















