Comunidade

Cedral – Morre matriarca do quilombo canavial aos 108 anos

Faleceu aos 108 anos nesta segunda-feira(15), Dona Joana de Canavial povoado da Cidade de Cedral, a 230 km da capital, a matriarca da comunidade apaixonada pela cultura local que vai deixar saudade.

Segundo informações ela morreu em casa por complicações naturais. No próximo dia 24 deste mês completaria 109 nos

Dona Joana representava a força da mulheres descendentes de quilombolas da região e teve um papel importante na comunidade além de incansável e presente nos festejos locais.

No ano passado o Informativo Folha de Cedral homenageou ainda em vida essa mulher guerreira leia na íntegra a matéria.

Homenagem a Dona Joana de Canavial

Símbolo de experiência de vida, aos 107 anos de idade completados no mês de junho do ano passado, D. Joana Agripina Martins (conhecida como cabecinha), esbanja saúde, vaidade e lucidez, que às vezes falha, mas é uma glória para a família orgulhar-se de ter ainda por perto alguém tão especial. Ela nasceu em 24 de junho de 1911, descendente de quilombolas, sempre morou no povoado Canavial/ Cedral, desde quando nasceu, hoje o lugar é certificado como Comunidade Quilombola e Afrodescendente da baixada. Mãe de dez filhos, cinco homens e os outros são mulheres, um já é facelido, mas o carinho e atenção de todos ameniza a falta de alguém que para uma mãe jamais será esquecido.

Uma mulher, mãe, avó que ainda sente-se feliz e forte por estar em um lar acolhedor e edificado com suas lutas e ensinamentos. Dona Joana, é cercada de atenção e carinho dos netos, é um ingrediente para sentir-se mais feliz, um deles a Senhora DINA, que ao falar da avó, diz que às vezes faltam palavras para expressar o quanto a ela representa, segundo ela, Dona Joana é tudo, no meio familiar “todos a tratam como a matriarca ela é uma lenda viva”, disse.

Viúva mas ao lado dos filhos, que organizam um rodízio para cuidar da matriarca, quase não sente falta de nada. Cercada de 51netos, 89 bisnetos e 24 tataranetos que somando chega aos 164 descendentes dessa vitalidade toda, a satisfação e felicidade toma conta e se torna um remédio para querer viver.

Assim ela leva a vida pacata do interior, com um clima tropical e ar puro, que cooperam como uma terapia jovial que trata seus traços com muita delicadeza. Outro detalhe sobre a vida de D. Joana é a sua alimentação que tem sido durante todos esses anos é uma aliada na sua jornada, comida saudável é indispensável, mesmo já cansada, ela toma banho, se alimenta, e ainda caminha devagar, levando na pele e no olhar as experiências de toda uma vida, que é de se admirar. Uma comida bastante conhecida na região, a Juçara, é um dos pratos prediletos dela, que se deixar ela repete várias vezes com açúcar, que fica ainda mais saboroso e difícil de resistir, além de ser saudável.

Lavradora trabalhou por muito tempo no campo ao lado dos pais no trabalho pesado, ainda alcançou e presenciou o trabalho escravo dos servos dos grandes Senhores de engenhos da região, nas terras do Senhor Antônio Martins, o trabalho escravo foi visto de perto, mesmo ela não sendo escravizada, mas presenciou a vida dura dos seus descendentes na luta diária, e os castigos sofridos pelos negros.

Trabalhou com muitas lavouras e na produção de muita farinha d’água, tapioca, e farinha seca, além disso, trabalhou ainda em engenho de açúcar e na fabricação de cachaça, e ainda era dona de casa e de toda agricultura da propriedade da família.

Próximo de completar um século de vida, a ansiedade era grande de todos os familiares em um momento tão especial, então uma homenagem à altura da ocasião foi feita para celebrar a data com todos os amigos e conhecidos do povoado onde mora. No último ano, não foi diferente agora com 107 anos, dona Joana festejou ao lado da família e das cinco gerações que se reuniram, com mais de 800 pessoas em dois dias de festa, celebraram a tão esperada data em comemoração a chegada do dia mais importante que foi o seu nascimento.

Para deixar o evento ainda mais recheado o primeiro dia teve apresentações folclóricas infantis e adultas locais como: a dança do coco; tambor de crioulas; carimbo; cacuriá e quadrilhas, e um coquetel especial foi servido para todos que vieram prestigiar a festa de Dona Joana, no segundo dia a programação se estendeu com uma festa dançante (seresta), e para um pedido especial, Dona Joana cantou o parabéns em frente ao bolo, que não foi comum, este ano foi de um metro, ela cortou e o primeiro pedaço, ofereceu a todos os presentes desejando saúde e prosperidades.

Assim ela perpetua sua história centenária e faz a gente pensar, pois temos ainda muitas historias para contar e a aprender com quem já viveu muito e tem experiências. Fé – Católica D. Joana sempre usou a fé para fortalecer o seio familiar, e receber graças maravilhosas, devota de São Benedito filho de escravos era temente a Deus e guardava o corpo a serviço do espirito. Um belo exemplo seguido por ela, para fortalecer a família o exemplo da matriarca é um estimulo para não deixar a fé esfriar.

 

 

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