A empresária Ariene Rodrigues Pereira, de 37 anos, morreu na terça-feira (20) após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante uma cirurgia plástica em uma clínica particular de São Luís. Segundo a família, Ariene fazia uma lipoaspiração quando passou mal.
No boletim de ocorrência, parentes informaram que ela tinha hipotireoidismo e usava medicação contínua. O procedimento foi realizado pelo médico Dr. Alexandre Augusto Gomes, que nega erro médico (veja mais abaixo o que dizem a defesa do cirurgião e a clínica).
Segundo a clínica, conforme laudo do Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi uma embolia maciça por coágulo sanguíneo, evento de evolução súbita e grave.
A Polícia Civil do Maranhão afirmou que o caso está sendo investigado pelo 13º Distrito Policial do Cohatrac.
Empresária foi reanimada por 90 minutos
De acordo com o relatório médico, a equipe tentou reanimar a paciente por cerca de 90 minutos, com uso de medicamentos e desfibrilação. Ariene não respondeu e teve a morte declarada por volta das 20h.
A família afirma que ainda não recebeu confirmação sobre a realização de exames pré-operatórios ou avaliação de risco cirúrgico. Segundo os parentes, o prontuário só foi entregue após a chegada da advogada, por volta das 23h.
A clínica informou que estavam presentes no centro cirúrgico médicos cirurgiões, anestesistas e cardiologistas, e que todas as medidas médicas e hospitalares indicadas foram adotadas.
A advogada da família, Vivian Bauer, disse que houve divergências nas informações repassadas pela equipe médica e que os fatos precisam ser esclarecidos para evitar injustiças.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA) informou que ainda não recebeu denúncia formal. O órgão disse que faz um levantamento preliminar para avaliar as circunstâncias e decidir se adotará medidas.
O que dizem a defesa do cirurgião e a clínica
A defesa do cirurgião responsável afirma que o médico seguiu todos os protocolos, que a paciente não tinha contraindicações para a cirurgia e que a morte foi causada por uma embolia pulmonar considerada imprevisível. Veja abaixo a nota na íntegra.
“Eu, Lymark Kamaroff, advogado, regularmente inscrito na OAB/RJ sob o nº 109.192, venho, por este intermédio, na qualidade de patrono do Dr. Alexandre Augusto Gomes, médico regularmente inscrito no CRM sob o nº 4463, em função da solicitação de esclarecimentos pela mídia, referente ao caso da paciente Ariene Rodrigues, expor suas razões da seguinte forma:
Inicialmente, cumpre dizer que não podemos entrar especificamente no mérito do procedimento realizado pela paciente Ariene Rodrigues, tendo em vista o sigilo profissional que é imposto ao médico pelo Código de Ética Médica, mas que diante dos fatos, faz-se importante esclarecer o seguinte:
1 – Que lamentamos muito o ocorrido, mas não há culpa por nexo de causalidade entre a fatalidade que acometida pela paciente e atuação do Dr. Alexandre, que sempre agiu diligentemente, seguindo os padrões preconizados pela boa técnica, mas que infelizmente a mesma foi vítima de uma embolia pulmonar maciça conforme consta do laudo de necrópsia que já é de conhecimento público;
2 – Que todas as pacientes do Dr. Alexandre assinam um termo de consentimento livre e esclarecido para a possibilidade de ocorrer um evento adverso, que pode ser uma complicação ou intercorrência, conforme o presente caso;
3 – Que a paciente não tinha qualquer comorbidade ou contraindicação para a cirurgia planejada, todos os exames foram realizados e não apontavam qualquer impencílio ou contraindicação para o ato cirúrgico, bem como todas as etapas da cirurgia foram cuidadosamente planejadas e executadas, seguindo os mais rigorosos padrões de segurança e qualidade.
Ao que consta a paciente foi vitimada por uma fatalidade, que nada tem haver com qualquer falha do profissional, que prestou todo o atendimento e não poupou esforços para tentar evitar este fatídico desfecho.
Aproveitamos para mandar, em nome do Dr. Alexandre e de toda a sua equipe, a nossa solidariedade para os familiares da Sra. Ariene, aos quais vão nossas preces e todo o nosso carinho e respeito.
Era o que tínhamos a informar, me colocando a disposição para prestar, dentro da limitação legal imposta, maiores informações”.
O que diz a clínica
Já a Policlínica Ibiapuera diz que ofereceu toda a assistência necessária, que o procedimento contava com equipe completa e que possui todas as licenças exigidas para funcionamento.
“A Policlínica Ibiapuera, com 30 anos de atuação no mercado, é uma instituição hospitalar consolidada, que conta com infraestrutura adequada, equipamentos modernos e profissionais habilitados, preparada para a realização de cirurgias e procedimentos especializados, sempre pautada pela qualidade assistencial, segurança do paciente e ética profissional.
A instituição dispõe de suporte pós-cirúrgico completo, com sala especialmente equipada e recursos técnicos destinados ao atendimento de eventuais intercorrências clínicas, assegurando acompanhamento contínuo e assistência integral aos pacientes.
No caso da paciente Ariene Rodrigues, ocorrido em 20/01/2026, estavam presentes no centro cirúrgico médicos cirurgiões, anestesistas e cardiologista, tendo sido adotadas todas as medidas médicas e hospitalares indicadas, de forma imediata, com o objetivo de estabilizar a paciente e reverter o quadro clínico apresentado.
Conforme laudo do Instituto Médico Legal (IML), a causa do óbito foi identificada como embolia maciça por coágulo sanguíneo, evento de evolução súbita e grave, que escapou da assistência médica a ela prestada.
A Policlínica Ibiapuera esclarece, ainda, que possui todas as licenças e autorizações exigidas pelos órgãos competentes, cumprindo com rigor as normas legais e regulatórias, oferecendo conforto, segurança e qualidade em sua infraestrutura hospitalar.
Neste momento de profundo consternação, a instituição manifesta seu solidariedade aos familiares e amigos da paciente, reafirmando seu compromisso permanentemente com a ética, a transparência e a segurança do paciente”.


















